STJ concede prisão domiciliar a Celso Éder, acusado de movimentar R$ 1 bilhão em esquema

O empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, alvo da Operação Ícaro, originada a partir de descobertas feitas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), deixou a Penitenciária de Tremembé, no interior de São Paulo, após sete meses e passará a cumprir prisão domiciliar por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). O habeas corpus foi concedido esta semana.
O empresário Celso Éder Gonzaga de Araújo, investigado por fraudes bilionárias, deixou a Penitenciária de Tremembé após sete meses e cumprirá prisão domiciliar. A decisão do STJ considerou seu estado de saúde, que inclui um tumor cerebral, e o fato dos crimes não envolverem violência.Araújo é investigado por esquemas que incluem a venda de participações em uma falsa mina de ouro, lesando cerca de 25 mil pessoas, e envolvimento em fraudes fiscais que movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão em propinas desde 2021. Em sua residência, foram apreendidos valores expressivos em joias, dinheiro e criptomoedas.
Apesar de não identificar ilegalidade na prisão preventiva, o STJ considerou o estado de saúde do investigado, que enfrenta um tumor cerebral e outras comorbidades, além do fato de os crimes apurados não envolverem violência. “Afirma ser primário e que os supostos delitos não envolvem violência ou grave ameaça. Informa que enfrenta problemas de saúde (tumor cerebral), a mãe tem um tumor pulmonar e precisa de assistência, a esposa se encontra em prisão domiciliar e o casal, ambos presos, não tem condições de atender à necessidade dos filhos menores”, registrou o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, relator do HC, ao decidir pela soltura do empresário.
Com isso, o magistrado determinou a substituição da prisão em regime fechado por domiciliar, com medidas cautelares, até julgamento definitivo pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, previsto para ocorrer em até 30 dias.
Alvo principal da Operação Ouro de Ofir, desencadeada pelo MPMS em 2017, mas que teve ação trancada no STJ no ano passado, Celso virou nome conhecido no Estado após ser apontado como um dos responsáveis por um suposto golpe envolvendo a venda de participações em uma inexistente mina de ouro, que teria lesado cerca de 25 mil pessoas em todo o país.
Pedido de rastreamento de empresas ligadas a Celso que partiu do MPMS acabou revelando um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo auditores fiscais da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda de São Paulo).
A apuração identificou movimentações financeiras suspeitas em empresas associadas ao alvo, o que levou o MPSP (Ministério Público de São Paulo) a aprofundar as investigações. A partir disso, foi deflagrada a Operação Ícaro, em agosto de 2025, que prendeu empresários, auditores e apreendeu bens de alto valor.
Celso Eder foi preso em uma residência em Alphaville, em São Paulo (SP). No local, pacotes de esmeraldas, R$ 47 milhões em rubis, R$ 1,2 milhão em cédulas, R$ 200 mil em criptomoedas, US$ 10.700, relógios avaliados em R$ 8 milhões, e mais 1.590 euros. O patrimônio declarado do empresário ultrapassa R$ 180 milhões.
Conforme apurado pelo Portal Metrópoles, o empresário é apontado como um dos elos centrais do esquema investigado, atuando na lavagem de dinheiro oriundo de fraudes fiscais que podem ter movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas desde 2021. Ele teria ligação direta com o auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, considerado peça-chave na estrutura criminosa.
Ainda segundo as investigações, empresas ligadas ao sul-mato-grossense receberam milhões de reais de uma companhia registrada em nome da mãe do auditor, utilizada para operacionalizar o pagamento de propinas disfarçadas de serviços tributários.
A Operação Ícaro também resultou na prisão do dono da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e Mario Otávio Gomes, executivo da Fast Shop.
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