
A promessa de crescimento econômico com a construção da megafábrica de celulose em Inocência levou uma empresária a investir mais de R$ 1 milhão na montagem de uma cozinha industrial para atender trabalhadores envolvidos nas obras. Segundo ela, o negócio terminou em dívidas e disputa judicial após uma parceria comercial que, afirma, não foi cumprida como previsto.
Uma empresária de Mato Grosso do Sul investiu mais de R$ 1 milhão em uma cozinha industrial para atender trabalhadores da construção da megafábrica de celulose em Inocência, mas acumulou dívidas após uma parceria comercial frustrada. Sirlene Ferreira, proprietária da Dom Chef Cozinha Industrial, relata que os repasses previstos em contrato com a PFM Refeições Ltda. não foram cumpridos integralmente. O caso resultou em disputa judicial, com divergências sobre valores contratuais e devolução do imóvel. Segundo a empresária, ao retomar o espaço, encontrou equipamentos danificados ou removidos. Um acordo foi firmado no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania para resolver questões sobre rescisão contratual e patrimônio.
Em entrevista ao Campo Grande News, a proprietária da dona da empresa Dom Chef Cozinha Industrial, Sirlene Ferreira conta que decidiu se mudar para Inocência em 2023 após saber da instalação do Projeto Sucuriú, empreendimento ligado à produção de celulose que mobiliza milhares de trabalhadores na região.
Para atender a demanda, ela montou uma cozinha industrial de grande porte. Segundo relata, o investimento exigiu empréstimos bancários, ajuda de familiares e retirada de recursos da loja de materiais de construção que mantém.
A estrutura foi montada para atender empresas que atuavam na obra. Para operar o serviço de alimentação no canteiro, a Dom Chef firmou parceria com a PFM Refeições Ltda., empresa de Maceió (AL) responsável pela venda das refeições aos trabalhadores.
Pelo acordo, conforme relata a empresária, a estrutura montada pela Dom Chef seria utilizada na operação e a empresa receberia uma porcentagem sobre o faturamento obtido com a venda das refeições servidas no local.

Segundo Sirlene, o serviço passou a funcionar normalmente e milhares de refeições eram fornecidas diariamente aos trabalhadores da obra. O problema, afirma, começou quando os repasses previstos no contrato deixaram de ocorrer integralmente. “Eu tinha uma empresa saudável. Fui tirando dinheiro dela para investir lá e isso desestruturou tudo”, disse.
A empresária relata que, enquanto o serviço continuava funcionando no canteiro de obras, ela passou a bancar despesas com recursos próprios, além de empréstimos e créditos bancários.
O resultado foi o acúmulo de dívidas com bancos, cartões de crédito e fornecedores. Ela afirma que ainda hoje paga parcelas mensais de empréstimos contraídos para montar a cozinha industrial.
Além da divergência sobre valores do contrato, o conflito entre as empresas também passou a envolver a devolução do imóvel onde funcionavam a cozinha e os equipamentos utilizados na operação.
De acordo com Sirlene, quando voltou ao local para receber a estrutura, encontrou parte dos equipamentos retirados e outros sem condições de funcionamento. “Cheguei lá e tinham levado muita coisa. Ficaram alguns equipamentos sem cabeamento e sem condições de testar”, afirmou.

Outro prejuízo relatado envolve um veículo utilitário comprado para transportar alimentos durante a operação. Segundo ela, o carro foi usado na atividade e depois devolvido com multas e danos. O caso acabou sendo resolvido por meio de acordo que considerou apenas o valor da tabela Fipe.
Na Justiça – Documentos anexados ao processo e enviados ao Campo Grande News mostram que houve um acordo firmado entre as partes no Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania), envolvendo a rescisão dos contratos, a entrega do imóvel e a definição sobre bens utilizados na operação.
Nos autos do processo, a PFM Refeições sustenta ter cumprido as obrigações previstas no acordo firmado entre as partes. Já a Arauco, responsável pelo Projeto Sucuriú, informou que não comenta processos envolvendo prestadoras de serviço.
“A Arauco não comenta processos envolvendo suas prestadoras de serviço e informa que todos os pagamentos a fornecedores e terceirizados são realizados rigorosamente em dia, conforme contratos vigentes, sem qualquer privilégio a quaisquer das partes em detrimento da outra”, afirmou a empresa em nota.
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