Plano inicial do Sesc era fazer renascer um ponto de cultura na Rua 15 de Novembro
Com leilão marcado para terminar na próxima terça-feira (dia 24), o antigo Cine Campo Grande, o último cinema de rua da Capital, acumulou 13 anos de ociosidade sob a gestão do Sesc (Serviço Social do Comércio), num histórico de sucessivas promessas de fazer renascer um ponto de cultura na Rua 15 de Novembro.
O último cinema de rua da Capital, o Cine Campo Grande, acumula 13 anos de abandono sob gestão do Sesc. Adquirido em 2013 para se tornar um centro cultural, o imóvel nunca saiu do papel. Com problemas como falta de estacionamento e projetos inviáveis, o local agora será leiloado por R$ 4,9 milhões. Promessas de revitalização foram feitas ao longo dos anos, mas incêndios e vandalismo marcaram o espaço. Apesar de aprovações municipais em 2022, o Sesc desistiu do projeto em 2025, optando pela venda. O leilão está marcado para esta terça-feira (24), encerrando um ciclo de expectativas frustradas.
Após mais de uma década, o imóvel, com área construída de 1.307 metros quadrados, vai a leilão com lance inicial de R$ 4.944.755,22. O Cine Campo Grande fechou as portas em novembro de 2012, depois de 30 anos em atividade.
Em 2013, o Sesc anunciou que adquiriu o prédio para um centro cultural. O plano era transformar uma das salas, com capacidade para 300 pessoas, em teatro com direito à caixa cênica, que permitiria a troca de cenários no palco, entre um sobe e desce de estruturas.

Depois de quase dez anos sem destino, a CGU (Controladoria-Geral da União) fez um alerta em 2024 sobre a situação do imóvel, que nos anos de 2017 e 2023 havia registrado princípios de incêndio, atribuídos à ação de vândalos.
Em resposta à CGU, a nova promessa foi começar as obras no segundo semestre de 2024. Ao órgão de controle, o Sesc traçou uma linha do tempo. Primeiro, o entrave era a falta de área para estacionamento, constatada em 2015, dois anos depois da compra.
“Durante o trabalho da empresa, identificou-se a necessidade de vagas de estacionamento. No entanto, o prédio ocupava 100% da área do terreno, inviabilizando a criação de estacionamento. Foi necessário desarquivar o processo legal de projetos anteriores para obter informações históricas e, ao fazê-lo, descobriu-se que uma das condicionantes da aprovação original, em 30/10/1986, era a existência de um estacionamento em outro lote próximo, o qual se encontrava construído, caracterizando o edifício do cinema em desacordo com a legislação vigente”, detalhou o Sesc.
Depois, até houve autorização para demolição do imóvel, que não estava listado como bem de interesse de tombamento. Contudo, o projeto para a construção do Sesc Cultura, que incluía pavimentos subterrâneos, tinha valores impraticáveis.
Confira a galeria de imagens:
Entre os anos de 2019 e 2020, houve reformulação da proposta, com preservação da área construída. Em 2022, o projeto de reforma sem acréscimo de área foi aprovado pela prefeitura, e a GDU (Guia de Diretrizes Urbanísticas) foi emitida pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano).
A promessa era fazer o Centro de Campo Grande “vibrar”. “O Sesc MS transformará este imóvel em um centro cultural vibrante, oferecendo um espaço para encontro, aprendizado e diversão, promovendo eventos culturais, artísticos e educacionais para atender às necessidades dos trabalhadores do comércio e da comunidade local”, destacou o Sesc, em manifestação em junho de 2024.
Mas, no ano passado, o tom mudou. Em agosto de 2025, o Sesc informou que não tinha novidades sobre o destino do antigo cinema. Um mês depois, o plano já era colocar o imóvel à venda. A proposta acabou concretizada em 3 de fevereiro, com a publicação do edital do leilão.
Em nota enviada no começo do mês, a assessoria de imprensa do Sesc/MS informou que os leilões fazem parte da estratégia da instituição, quando os imóveis já não contemplam as necessidades. O posicionamento foi mantido nesta terça-feira, diante de novo contato da reportagem.
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